Fundadores

HENRIQUETA MARTINS CATHARINO

“Não nasci para vítima nem carpideira”.

Filha do português Bernardo Martins Catharino e D. Úrsula da Costa Martins Catharino, de tradicional família feirense, Henriqueta Martins Catharino nasceu em Feira de Santana/BA, no dia 12 de dezembro de 1886 e faleceu no dia 21 de junho de 1969, na cidade de Salvador, Bahia. 

 Mulher de personalidade marcante, católica fervorosa, dedicou sua vida à formação da juventude feminina do seu tempo, tendo iniciado o seu apostolado social com a  Propaganda de Boas Leituras (PBL), pondo em circulação e a disposição das jovens os livros existentes na biblioteca da sua casa, e com as “Tardes de Costura”, destinadas a confecção de roupas para pessoas carentes.

A partir da boa instrução recebida em casa e da formação religiosa sólida, D.  Henriqueta Martins Catharino, movida pela fé e pelo ideal de “tudo fazer para a maior glória de Deus”, dedicou toda a sua vida a fazer o bem ao semelhante, sobretudo às pessoas carentes e às mulheres. Diante da morte prematura do seu noivo, Ernest Richard Hünerwadel, em 19 de fevereiro de 1919, decidiu permanecer solteira e se manteve firme no propósito de servir a Deus na pessoa do próximo, em especial, a mulher.

Muitos foram os entraves encontrados e os esforços empreendidos para ver tornar-se realidade a criação de uma obra de proteção à moça, com sede própria. Através do trabalho incansável, da renúncia e da abnegação, D. Henriqueta Catharino e Monsenhor Flaviano criaram, no ano de 1923 a Casa São Vicente, em prédio alugado. Daí em diante, ainda que enfrentando dificuldades e muitas mudanças de endereços, a obra passou a crescer e encontrar solidez.

Nutrindo o sonho de construir a sede definitiva da instituição, porém sem dispor de recursos próprios, D. Henriqueta recorreu ao seu pai, o Comendador Bernardo Martins Catharino, a quem pediu o adiantamento de parte da sua herança. Com este recurso e a receita obtida com a venda de um imóvel situado na Piedade, adquiriu o terreno onde outrora funcionava o Teatro Politeama, destruído num incêndio. Assim, no ano de 1935 teve início a construção do Casarão que até os dias atuais funciona como sede da instituição.

Nos lugares por onde passou o Instituto Feminino da Bahia D. Henriqueta viu a realização das suas aspirações com por meio dos cursos de datilografia, estenografia, corte e costura, assim como os cursos Ginasial, de Secretariado e Técnico em Contabilidade que eram oferecidos. A sua preocupação, no entanto, foi além da educação das moças. Estavam no horizonte dos seus projetos o amparo a saúde feminina, com a assistência médica e odontológica, entre outros cuidados, além do exercício de direitos civis, como o voto feminino, sendo instalado um posto de alistamento na sede da instituição, em março de 1933.

Firmeza, austeridade, simplicidade, organização e perseverança são algumas das características e qualidades da fundadora do Instituto Feminino da Bahia que permitiram que a sua obra vingasse e beneficiasse a tantas pessoas. D. Henriqueta Martins Catharino faleceu em 21 de junho de 1969, aos 83 anos incompletos, em decorrência de um edema pulmonar, deixando um grande legado de fé e amor.

MONSENHOR FLAVIANO OSÓRIO PIMENTEL

“O que se deseja é realmente a maior glória de Deus”.

Monsenhor Flaviano Osório Pimentel nasceu em 05 de outubro de 1876, na Ilha de Itaparica/BA. Filho de João Osório Pimentel e D. Teolina Gomes Pimentel, foi ordenado sacerdote em 1º de maio de 1901 pelo Arcebispo Dom Jerônimo Thomé. Tornou-se secretário particular do Arcebispo, acompanhando-o nas visitas pastorais pelo sertão baiano.

Foi nomeado Capelão da Catedral em 1908 e, ainda atuando como secretário do Primaz do Brasil, seguiu para a Europa no ano de 1913 para participar de eventos e celebrações em comemoração ao 16º centenário do Édito de Milão, retornando com ideias que influenciaram a sua obra e que, aos poucos, se tornariam realidade, principalmente em relação à proteção e promoção da mulher.

Com o intermédio de uma amiga comum, Monsenhor Flaviano Osório Pimentel aproximou-se de dona Henriqueta Martins Catharino, convidando-a para frequentar as aulas de catecismo por ele ministradas na Catedral, sendo este encontro o ponto de partida que proporcionou o nascimento de uma obra pioneira no estado da Bahia. Nesse período Monsenhor Flaviano Osório Pimentel já havia iniciado uma experiência voltada à proteção das jovens junto à Associação das Senhoras da Caridade, da qual foi diretor por muitos anos, passando Dona Henriqueta Catharino a se interessar pela causa.

Sempre preocupado com a formação e o destino das jovens, sobretudo com as transformações desencadeadas pela primeira grande guerra, Monsenhor Flaviano Osório inspirou a criação da Casa São Vicente de Paulo que mais tarde passaria a Instituto Feminino da Bahia, sendo o seu diretor por aproximadamente 10 anos.

O Cofundador e Diretor do Instituto Feminino da Bahia faleceu em 17 de julho de 1933, aos 56 anos de idade, pouco antes do decenário da instituição.